Uma das etapas importantes nos estudos geológico-geotécnicos para o desenvolvimento de um projeto de obra civil refere-se à caracterização tecnológica dos materiais naturais de construção - solo, areia e rocha. Na grande maioria das situações, esses materiais são utilizados para a construção de maciços compactados de terra ou de enrocamento ou então empregados como agregados para concreto, pavimentos, lastros de ferrovias, entre outras aplicações.
A correta utilização desses materiais requer o conhecimento prévio das suas propriedades tecnológicas. Para tanto, a adequada caracterização deverá ser realizada a partir de amostras significativas dos horizontes geológico-geotécnicos do local de interesse, utilizando-se de técnicas apropriadas e conduzidas por procedimentos padronizados, executados, sobretudo, em laboratório.
- As amostras de solo (deformadas e indeformadas) são coletadas em poços de inspeção ou mesmo em locais estudados para servirem como áreas de empréstimos, sendo que a caracterização é conduzida, segundo ensaios específicos de Mecânica dos Solos.
- As amostras de areia são obtidas tanto em jazidas em superfície quanto em áreas submersas, para a realização de análises mineralógicas, determinação do teor de matéria orgânica e de impurezas (cloreto de sódio, por exemplo), ensaios de granulometria entre outros. A presença de animais deletérios (sílica amorfa e quartzitos friáveis, principalmente), podem restringir a utilização de areias em agregado para concreto.
- As amostras de rocha são geralmente extraídas de afloramentos, poços de inspeção, túneis e galerias de prospecção e, principalmente, a partir de testemunhos de sondagens. Nesse último caso, deverão ser seguidos os seguintes procedimentos:
a) As amostras somente poderão ser retiradas das caixas de testemunhos após a descrição geológica e geotécnica completa e o registro fotográfico da respectiva sondagem;
b) Na caixa de sondagem, o espaço deixado pela amostra retirada deverá ser completado com um tartugo de madeira de comprimento aproximadamente igual ao da amostra, no qual deverão ser anotados: o número de identificação da amostra, a data, o motivo da supressão da amostra e as profundezas de topo e base;
c) Cada amostra extraída deverá ser fotografada com o seu respectivo número de identificação (Obra - Sondagem SR/SM - Amostra 1,2...n) e com a indicação do topo e base;
d) Deverá ser elaborada uma lista de controle, contendo: número de identificação das amostras, número da sondagem, número da caixa da sondagem, data da coleta, profundidades de topo e base e descrição geológico-geotécnica pormenorizada da amostra. Uma cópia dessa lista deverá ser entregue ao laboratorista responsável pela recepção da amostra.
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Referência Bibliográfica:
Geologia de Engenharia e Ambiental, volume 2: Métodos e Técnicas / editores Antonio Manoel dos Santos Oliveira, João Jerônimo Monticelli. São Paulo: ABGE Associação Brasileira de Geologia de Engenharia e Ambiental, 2018.
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