"O futuro não é o lugar para onde estamos indo, mas o lugar que hoje estamos construindo." 

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Um overview da Bienal das Rodovias 2026

A força da regulação e o novo ciclo de concessões pelos olhos da Suporte Infra

CICB, Brasília, 17 e 18 de junho de 2026. Tema: A força da regulação brasileira.

A segurança jurídica deixou de ser pano de fundo e assumiu o centro do debate da infraestrutura rodoviária brasileira. Foi essa a mensagem que atravessou os dois dias da Bienal das Rodovias 2026, realizada em 17 e 18 de junho no Centro Internacional de Convenções do Brasil (CICB), em Brasília, sob o tema A força da regulação brasileira. Promovido pela Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR), que celebrou seus 30 anos, o encontro reuniu o governo federal, as agências reguladoras, os órgãos de controle, as concessionárias e a cadeia de fornecedores técnicos em torno de uma mesma questão: como sustentar, com previsibilidade e estabilidade de regras, o maior volume de investimentos em concessões rodoviárias da história do país.

Dois dias, vinte e oito painéis

A programação foi densa. Foram 28 painéis distribuídos ao longo dos dois dias, organizados em torno de eixos como consensualismo e gestão das concessões, repactuação e revisão de contratos, licenciamento ambiental, fiscalização remota, verificação independente, política tarifária e o novo sistema tributário. A abertura, conduzida pelo presidente da ABCR, Marco Aurélio Barcelos, ao lado do ministro dos Transportes, George Santoro, marcou também o lançamento da Coalizão pela Segurança Viária, iniciativa que articula concessionárias, poder público e entidades civis em torno da redução de sinistros. O segundo dia abriu com a discussão sobre o alinhamento institucional entre órgãos de controle e agências reguladoras, e foi encerrado com as principais agências do país debatendo o presente e o futuro da regulação.

A previsibilidade como condição, não como detalhe

Em praticamente todos os painéis, a segurança jurídica apareceu como condição de partida, e não como ornamento. O Ministério dos Transportes destacou o papel da Política Nacional de Outorgas Rodoviárias, instituída em 2023, na padronização dos contratos, na ampliação da previsibilidade regulatória e na incorporação de mecanismos de compartilhamento de riscos. A leitura do setor é convergente: a estabilidade das regras é o que sustenta a confiança do investidor de longo prazo, justamente o perfil que o novo ciclo precisa atrair para viabilizar uma agenda de tamanha escala.

A escala do que está em jogo

Os números apresentados dão a dimensão do desafio. Segundo o Ministério dos Transportes, a carteira de concessões rodoviárias já soma R$ 268,7 bilhões em investimentos privados, distribuídos em 24 contratos que abrangem 11.815 quilômetros de rodovias, e deve alcançar cerca de R$ 396 bilhões até o fim de 2026, quando a expectativa é chegar a 35 concessões. Entre 2022 e 2025 foram realizados 22 leilões de rodovias federais, com a entrada de 18 novos operadores, sinal de um mercado mais competitivo e mais dependente de financiamento estruturado.

Em entrevista ao EXAME Infra durante o evento, George Santoro sustentou que a liderança global em concessões passará necessariamente pelo Brasil, diante de uma carteira de 57 projetos rodoviários previstos para os próximos quatro anos. Defendeu a ampliação de fontes de financiamento de longo prazo, com destaque para as debêntures de infraestrutura com emissão no exterior, e projetou que a participação privada, hoje em torno de 60% dos investimentos do setor, deve avançar para 70%. O ministro também detalhou o diagnóstico das obras de arte especiais: 512 ativos classificados nos níveis mais críticos de conservação, o monitoramento por satélite implantado após o acidente de Estreito, e a recém-criada Política Nacional de Pontes e Obras de Arte Especiais.

Por trás de cada contrato, uma matriz de risco

Por trás de cada número há um contrato, e por trás de cada contrato há uma matriz de risco. Foi esse o ponto que tornou os debates particularmente relevantes para quem presta serviços técnicos às concessões. A repactuação de contratos, a verificação independente, os fatores contratuais e os parâmetros de desempenho discutidos em painéis como Regulação para a Qualidade convergem para a mesma exigência: alocar riscos com clareza e sustentá-los em informação confiável. Em obras de infraestrutura, parte expressiva da incerteza é de origem geotécnica, e o que não se conhece do subsolo não desaparece do contrato; apenas migra para o reequilíbrio, para o litígio ou para o custo não previsto.

É nesse ponto que a investigação geotécnica bem executada deixa de ser etapa preliminar e se torna instrumento de segurança contratual. Uma matriz de risco é tão robusta quanto os dados que a alimentam. Sondagens rastreáveis, ensaios laboratoriais consistentes e parâmetros geotécnicos bem definidos reduzem a margem de disputa entre concessionária, poder público e fornecedores, e conferem previsibilidade ao CAPEX que os números da Bienal anunciam.

Segurança jurídica exige segurança operacional

A segurança jurídica, contudo, não se sustenta sem segurança operacional. O novo ciclo de concessões eleva o patamar de exigência em Saúde, Segurança e Meio Ambiente (SSMA). A atuação em campo, sobretudo nas sondagens e nas investigações de subsolo, envolve riscos reais que precisam ser geridos com protocolo, rastreabilidade e conformidade. Para a cadeia de fornecedores, atender a esses contratos significa demonstrar, de forma documentada, aderência às normas de SSMA, controle de processos e responsabilidade técnica em cada frente de trabalho. O que antes era diferencial passou a ser requisito contratual.

Do capital à entrega: o gargalo silencioso do novo ciclo

Os números celebrados na Bienal, contudo, não se convertem sozinhos em obra entregue. O CEO da Suporte, Maurício Malanconi, tem argumentado em suas análises públicas que o país vive um paradoxo: capital abundante e capacidade real de execução ainda escassa. A simultaneidade de grandes projetos pressiona uma cadeia produtiva que opera próxima do limite, em um ambiente marcado pela disputa por mão de obra qualificada, por gargalos de licenciamento e desapropriação e por orçamentos que se defasam antes mesmo do início das obras. É o risco silencioso que se acumula nas entregas e que, mais tarde, reaparece sob a forma de renegociação contratual e de pressão sobre o equilíbrio econômico-financeiro das concessões.

A leitura é coerente com o que se discutiu nos painéis: o êxito deste ciclo não será medido pelo número de leilões nem pelo volume financeiro contratado, mas pela capacidade de entrega ao longo do tempo, sustentada por governança sólida, segurança jurídica e disciplina na condução dos contratos. E parte expressiva dessa capacidade depende de algo que costuma ser tratado como detalhe e raramente o é: a qualidade da informação técnica que ampara cada decisão.

O lugar da Suporte nesse cenário

É exatamente nesse ponto que a Suporte se posiciona. Empresa brasileira de infraestrutura voltada às investigações geológicas e geotécnicas, consolidou em mais de 15 anos de trajetória um padrão operacional que transforma a execução de campo em inteligência aplicável à decisão de engenharia. Mais de 120 mil sondagens digitalizadas e mais de 2 TB de dados técnicos acumulados sustentam um diferencial concreto: a redução da incerteza que, no novo ciclo, separa o orçamento viável do reequilíbrio precoce.

Essa atuação se organiza em três frentes integradas. Nas sondagens e investigações de campo, a empresa caracteriza o subsolo com método e rastreabilidade, base de qualquer projeto seguro. No laboratório, converte amostras em ensaios consistentes e em parâmetros confiáveis. E na geotecnia, atua na programação das investigações, na definição dos parâmetros de projeto, na avaliação de riscos geotécnicos e na instrumentação e monitoramento de ativos, justamente o tipo de risco que, mal caracterizado, migra para o contrato. É essa cadeia completa, do campo ao parecer técnico, que permite alocar risco com clareza em uma matriz e sustentá-lo ao longo da vida da concessão.

O elo que conecta as três frentes é o dado. Por meio do aplicativo SOND, a coleta acontece diretamente no campo, com os sondadores, e segue rastreável até a entrega final, disponibilizada em formatos como CSV e AGS, compatíveis com os softwares de modelagem BIM. A esse fluxo somam-se recursos de inteligência artificial aplicados à validação de dados, ao controle de qualidade e à análise de imagens, apoiados por uma estrutura própria de Data Lake. O resultado é uma informação técnica auditável, capaz de resistir ao escrutínio de verificadores independentes e de órgãos de controle, temas que ocuparam diversos painéis da Bienal.

Em um setor historicamente marcado por variabilidade e inconsistência, a Suporte defende que o dado bem produzido não é apenas requisito operacional, mas ativo estratégico para todo o ciclo de infraestrutura. É esse o compromisso que a empresa leva aos contratos das concessões: previsibilidade ancorada em informação confiável, segurança jurídica sustentada por segurança técnica e a disciplina de quem entende que, em obras onde o erro custa caro, a clareza começa no subsolo.


"Na Suporte o cumprimento e atendimento ao contrato não é negociável, é condição básica pois sabemos do nosso papel e nossa importância na sustentação desta cadeia de infraestrutura que se mostra uma das maiores dos últimos ciclos. Buscamos incessantemente criar um ambiente, nas relações contratuais, que permita previsibilidade com regras claras e equilibradas. Temos governança, uma base técnica, tecnológica e operacional robusta que nos coloca em condições de garantir entregas confiáveis aos nosso clientes e parceiros."

Juvêncio Rezende

Diretor de Engenharia & Operações


Equipe de Comunicação


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