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Rafael de Almeida
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Em artigo publicado no portal InfraRoi, Maurício Malanconi, fundador e CEO da Suporte Infra, propõe uma discussão essencial para o futuro da engenharia brasileira: antes de perguntar qual inteligência artificial será utilizada, o setor precisa avaliar com quais dados esses modelos serão treinados.
O artigo alerta que o Brasil produz grande volume de informações geotécnicas, laboratoriais e de pavimentação, mas ainda enfrenta dificuldades para transformar esses registros em uma base de conhecimento estruturada, interoperável e reutilizável. Boletins, relatórios e planilhas são frequentemente gerados em formatos diferentes, sem vocabulários comuns, metadados padronizados ou integração entre projetos.
Na avaliação de Maurício, o problema não é a falta de dados, mas a incapacidade de utilizá-los conjuntamente. Informações armazenadas em PDFs, planilhas proprietárias ou estruturas incompatíveis perdem parte de seu valor técnico e limitam o desenvolvimento de modelos de inteligência artificial confiáveis para prever o comportamento de solos, pavimentos e ativos de infraestrutura.
O artigo também destaca a importância da rastreabilidade e da auditabilidade. Para que uma recomendação gerada por inteligência artificial possa sustentar decisões de engenharia, é necessário preservar a origem do registro, o método utilizado, o equipamento, as condições de execução, as revisões realizadas e as transformações sofridas pelo dado até chegar ao modelo.
Mais do que digitalizar documentos, o desafio está em estruturar os dados desde a origem, com padrões, vocabulários técnicos comuns e formatos interoperáveis. O texto cita referências internacionais, como o AGS Data Format, no Reino Unido, o DIGGS, nos Estados Unidos, e os princípios FAIR, segundo os quais os dados devem ser encontráveis, acessíveis, interoperáveis e reutilizáveis.
A reflexão está diretamente conectada ao posicionamento da Suporte Infra de transformar dados de campo e laboratório em inteligência para a infraestrutura. Para Maurício, as empresas que construirão vantagem real não serão necessariamente as primeiras a adquirir ferramentas de inteligência artificial, mas aquelas que começaram antes a produzir dados técnicos confiáveis, estruturados e capazes de sobreviver aos projetos que os originaram.
Leia o artigo completo no InfraRoi:
https://infraroi.com.br/o-brasil-vai-treinar-inteligencia-artificial-com-o-dado-geotecnico-de-quem/