Antes de qualquer sondagem entrar em campo, existe uma etapa de planejamento que define onde investigar, quanto investigar e com quais métodos: a Programação de Sondagens e Ensaios. É essa programação que transforma as necessidades do projeto em uma estratégia concreta de investigação geotécnica.
O que é a Programação de Sondagens e Ensaios
A programação é desenvolvida a partir da análise das características do empreendimento, do estágio do projeto e das informações geológicas e geotécnicas já disponíveis. A partir dessa análise são definidos os tipos de investigação e ensaios, a quantidade de pontos, sua distribuição, as profundidades previstas e, quando necessário, investigações especiais ou complementares.
Mais do que fechar uma quantidade de furos, o objetivo é produzir informações representativas do subsolo e compatíveis com o que o projeto realmente precisa saber.
Como é definida a quantidade e a locação dos furos
Não existe um espaçamento ou uma quantidade padrão de sondagens aplicável a todo o empreendimento. Cada elemento da obra deve ser analisado de acordo com sua função e com as informações necessárias ao seu dimensionamento. Em uma mesma obra, por exemplo, podem existir critérios distintos para taludes de corte e encostas, aterros, regiões de solos moles, fundações de estruturas, obras de arte especiais, pavimentos, dispositivos de drenagem e áreas de empréstimo.
A definição de quantidade, localização, profundidade e tipo de investigação considera tanto as necessidades específicas do projeto quanto os critérios estabelecidos por normas técnicas, manuais, instruções de serviço e especificações aplicáveis a cada tipo de obra. Os pontos são entregues georreferenciados, o que permite visualizar e analisar a programação em ambiente de mapa.
O equilíbrio entre informação e investimento
Uma campanha de investigação precisa fornecer informações suficientes para que o projetista compreenda as condições do subsolo e desenvolva as soluções de engenharia adequadas. Quando a programação é insuficiente, surgem regiões sem informação, investigações complementares e novas mobilizações de campo, tudo isso já com a obra em andamento ou o projeto atrasado.
Por outro lado, uma campanha superdimensionada gera investigações que pouco acrescentam ao conhecimento geotécnico do empreendimento. A programação busca justamente esse equilíbrio, direcionando os recursos da campanha para os locais e tipos de investigação com maior potencial de gerar informação útil ao projeto.
A programação pode mudar ao longo da campanha
Os resultados obtidos nas primeiras investigações podem indicar a necessidade de complementar, aprofundar, deslocar ou modificar determinados pontos. Por isso a programação é revisada conforme aumenta o conhecimento sobre o subsolo, em vez de seguida como um roteiro fechado desde o início. Em rodovias, ferrovias e outros empreendimentos extensos, ela também pode ser dividida por trechos, elementos de projeto e prioridades, o que facilita o planejamento técnico e financeiro da campanha.
Da programação ao dado confiável
A Programação de Sondagens e Ensaios é a etapa que sucede o Planejamento de Campanhas definido junto ao cliente e ao projetista, detalhando como essa campanha será efetivamente executada em campo. É esse planejamento técnico que orienta as equipes de sondagens e ensaios da Suporte, com a mesma lógica aplicada a projetos de rodovias, ferrovias, portos e demais obras de infraestrutura.