A resistência ao cisalhamento dos solos é uma das
propriedades mais importantes da Mecânica dos Solos. Ela define a capacidade do
terreno de resistir a esforços que tendem a provocar o deslizamento relativo
entre suas partículas.
Esse conceito é essencial para o dimensionamento seguro de taludes, fundações, aterros, contenções e pavimentos, sendo decisivo na análise de estabilidade de obras de infraestrutura.
O que é resistência ao cisalhamento
A resistência ao cisalhamento representa a oposição do solo à aplicação de tensões tangenciais. Quando essa resistência é superada, ocorre a ruptura, caracterizada pelo deslocamento relativo entre massas de solo.
Essa resistência depende fundamentalmente de:
Atrito entre as partículas,
Coesão do material,
Tensão efetiva atuante,
Estrutura e estado do solo,
Condições de umidade e drenagem.
Solos granulares e solos coesivos apresentam comportamentos
distintos sob esforços de cisalhamento.
Imagem: Corpo de prova após ensaio de Cisalhamento Direto (CD) - Detalhe para rastreabilidade de amostras com uso de app dedicado - Laboratório de Ensaios Especiais Suporte
Componentes da resistência ao cisalhamento
De forma simplificada, a resistência ao cisalhamento é composta por dois mecanismos principais:
Atrito
Presente em todos os solos, especialmente nos arenosos.
Resulta do contato direto entre os grãos e aumenta com a
tensão efetiva.
Coesão
Característica dos solos finos, principalmente argilas.
Relaciona-se às forças de atração entre partículas e à estrutura interna do solo.
A combinação desses dois mecanismos define a resistência
total do solo.
Critério de ruptura de Mohr-Coulomb
O comportamento da resistência ao cisalhamento é
frequentemente representado pelo critério de ruptura de Mohr-Coulomb, expresso
por:
τ = c + σ’ · tan φ
Onde:
τ = resistência ao cisalhamento,
c = coesão,
σ’ = tensão efetiva normal,
φ = ângulo de atrito interno.
Esse modelo é amplamente utilizado em projetos geotécnicos
por sua simplicidade e eficiência na representação do comportamento dos solos.
Imagem: Equipamento para Ensaio Triaxial (TRI) - Aplica-se uma tensão axial através de uma haste de carregamento vertical para provocar a ruptura por cisalhamento no corpo de prova. Os ensaios triaxiais podem ser executados nos tipos: UU, CU, CD. - Laboratório de Ensaios Especiais Suporte
Comportamento dos diferentes tipos de solo
Solos arenosos
A resistência é predominantemente friccional.
O ângulo de atrito é o parâmetro mais relevante, e a coesão é desprezível.
Solos argilosos
A resistência depende tanto da coesão quanto da tensão
efetiva.
O comportamento varia conforme a condição drenada ou não drenada.
Solos compactados
A resistência está diretamente relacionada ao grau de
compactação e ao teor de umidade.
Imagem: Detalhe corpo de prova durante Ensaio Triaxial (TRI) - Laboratório de Ensaios Especiais Suporte
Condições drenadas e não drenadas
A resistência ao cisalhamento pode ser analisada sob duas
condições principais:
Drenada, quando a água consegue se dissipar durante o
carregamento, comum em areias,
Não drenada, quando a água permanece nos vazios, elevando a pressão neutra, comum em argilas.
A escolha da condição correta é fundamental para análises de estabilidade e segurança.
Aplicações práticas da resistência ao cisalhamento
A resistência ao cisalhamento é utilizada em:
Análise de estabilidade de taludes naturais e artificiais,
Dimensionamento de fundações rasas e profundas,
Projetos de muros de arrimo e contenções,
Avaliação de capacidade de carga do solo,
Verificação de segurança de aterros e barragens,
Análises de escavações e cortes.
Qualquer erro na determinação desses parâmetros pode
comprometer a segurança da obra.
Imagem: Corpo de prova após Ensaio Triaxial (TRI) e tag RFID para reastreabilidade de amostras com app dedicado - Laboratório de Ensaios Especiais Suporte
Ensaios para determinação da resistência ao cisalhamento
Os principais ensaios utilizados são:
Cisalhamento direto,
Compressão simples (não confinada),
Triaxial, em suas diferentes modalidades.
Cada ensaio fornece parâmetros específicos, que devem ser
interpretados conforme o tipo de solo e a condição de carregamento.
A atuação da Suporte na avaliação da resistência dos
solos:
A avaliação da resistência dos solos é uma etapa essencial
para a segurança e o desempenho de qualquer obra de engenharia. Na Suporte,
esse processo é conduzido de forma criteriosa, reconhecendo que a resistência
ao cisalhamento influencia diretamente o dimensionamento de fundações, taludes,
contenções e estruturas de infraestrutura.
Para garantir resultados confiáveis, a Suporte integra
ensaios laboratoriais executados com rigor técnico, seguindo normas e
procedimentos reconhecidos. Esses ensaios permitem compreender o comportamento
do solo sob diferentes condições de tensão, fornecendo parâmetros fundamentais
para as análises geotécnicas.
As informações obtidas em laboratório são complementadas por
dados de sondagens e ensaios de campo, que permitem conhecer o perfil do
terreno em profundidade. Essa combinação assegura que as características reais
do solo sejam corretamente representadas, reduzindo a possibilidade de
interpretações isoladas ou imprecisas.
Outro aspecto essencial do trabalho da Suporte é a análise
do contexto geológico e do histórico de formação do solo. Essa etapa permite
identificar particularidades do material, processos naturais ou intervenções
anteriores que podem influenciar sua resistência e seu comportamento ao longo
do tempo.
Todo esse conjunto de dados é interpretado por engenheiros e geólogos experientes, que aplicam conhecimento técnico e visão prática adquirida em obras reais. Essa abordagem integrada garante parâmetros representativos, reduz incertezas e aumenta significativamente a confiabilidade e a segurança dos projetos desenvolvidos pela Suporte.