"O futuro não é o lugar para onde estamos indo, mas o lugar que hoje estamos construindo." 

foto - Ensaio Triaxial x Ensaio de Cisalhamento Direto: qual a diferença e quando utilizar cada um?
Ensaio Triaxial x Ensaio de Cisalhamento Direto: qual a diferença e quando utilizar cada um?

A determinação precisa da resistência ao cisalhamento dos solos constitui um dos pilares fundamentais para a segurança e o sucesso de projetos de infraestrutura, servindo como base técnica para o dimensionamento de obras de terra, estruturas de contenção e fundações. Para obter esses parâmetros críticos, a engenharia geotécnica recorre primordialmente a dois métodos laboratoriais amplamente consagrados: o ensaio de cisalhamento direto e o ensaio triaxial. Embora ambos compartilhem o objetivo central de quantificar a capacidade do maciço terroso de suportar tensões de corte antes da ruptura, fornecendo dados de coesão e ângulo de atrito, eles atuam de maneiras distintas para mapear o comportamento mecânico do material.

Apesar dessa finalidade em comum, os dois procedimentos apresentam diferenças técnicas profundas no que tange à metodologia de execução, ao nível de precisão dos resultados e à aplicabilidade prática em cada cenário construtivo. Enquanto o ensaio de cisalhamento direto se destaca pela agilidade operacional e induz a ruptura em um plano pré-determinado na bancada, o método triaxial oferece uma sofisticação analítica superior, permitindo o controle rigoroso da drenagem e a simulação fiel do estado de tensões do terreno natural. Portanto, compreender detalhadamente essas distinções conceituais é imprescindível para que o projetista possa selecionar a alternativa investigativa mais alinhada à complexidade da obra, garantindo parâmetros realistas e seguros para a tomada de decisão.

 

Imagem: Laboratório de ensaios especiais Suporte


O que ambos os ensaios determinam

Tanto o ensaio triaxial quanto o cisalhamento direto permitem determinar os parâmetros da resistência ao cisalhamento segundo o critério de Mohr-Coulomb:

Onde:

τ = resistência ao cisalhamento

c = coesão

σ' = tensão efetiva normal

φ = ângulo de atrito interno

Esses parâmetros são utilizados em análises de estabilidade, capacidade de carga e dimensionamento de estruturas geotécnicas.

 

Ensaio de Cisalhamento Direto

O ensaio de cisalhamento direto é um procedimento laboratorial cuja mecânica consiste em alocar uma amostra de solo no interior de uma caixa bipartida metálica. Durante a execução, o corpo de prova é submetido a uma tensão normal de compressão mantida constante, enquanto um esforço horizontal crescente é aplicado gradativamente até que ocorra a ruptura do material. Uma particularidade fundamental deste método é que a falha não ocorre necessariamente no plano mais fraco do solo, mas sim em um plano de ruptura horizontal previamente imposto e definido pela própria geometria da caixa de cisalhamento.

Entre as suas principais características, o ensaio destaca-se por apresentar uma execução técnica mais simples e, consequentemente, um custo operacional menor quando comparado a métodos mais complexos. No entanto, essa simplicidade operacional traz limitações analíticas que o engenheiro deve considerar. O fato de o plano de ruptura ser forçado e haver um controle bastante limitado sobre as condições de drenagem da água nos vazios restringe o nível de detalhamento do comportamento do material, fazendo com que este ensaio seja reconhecidamente mais aderente e preciso para solos granulares.

Diante dessas particularidades, a aplicabilidade do ensaio de cisalhamento direto direciona-se estrategicamente para cenários bem definidos na geotecnia. Ele é altamente indicado para a investigação de solos arenosos e para a realização de estudos preliminares que demandem respostas rápidas e viabilidade econômica. Além disso, consolida-se como uma ferramenta prática e eficiente para alimentar análises de estabilidade mais simples e subsidiar projetos de engenharia que apresentem um menor nível de complexidade estrutural, garantindo parâmetros básicos de resistência com agilidade.

 

Imagem: Equipamento de ensaio de Cisalhamento Direto Automático - Suporte


Ensaio Triaxial

O ensaio triaxial representa o método laboratorial mais sofisticado e completo para a determinação da resistência ao cisalhamento dos solos. Em sua execução, uma amostra cilíndrica é acomodada em uma câmara pressurizada e submetida inicialmente a uma pressão confinante uniforme em todas as direções. Na sequência, aplica-se uma carga axial controlada e crescente até que o corpo de prova atinja a ruptura. Um dos grandes diferenciais desse procedimento é o controle rigoroso das condições de drenagem da água nos vazios, além do fato de que o plano de ruptura não é induzido pelo equipamento; ele ocorre de forma totalmente natural, refletindo a zona de maior fraqueza e o comportamento intrínseco do material.

A principal característica que eleva o ensaio triaxial a um patamar superior é o seu excepcional controle sobre o estado de tensões, o que permite uma simulação muito mais realista e fidedigna das condições que o solo efetivamente enfrentará em campo. Essa precisão metodológica é potencializada pela capacidade de medir as pressões neutras (poropressão) durante o cisalhamento e pela versatilidade de execução nas modalidades UU (não consolidado e não drenado), CU (consolidado e não drenado) e CD (consolidado e drenado). Todo esse aparato investigativo confere aos parâmetros de resistência (coesão e ângulo de atrito) um grau de precisão e confiabilidade inatingível por métodos mais simplificados.

Diante de tamanha riqueza de dados, a utilização do ensaio triaxial torna-se imprescindível em projetos de engenharia que demandam um alto nível de responsabilidade técnica. Ele é a ferramenta definitiva para investigar o comportamento complexo de solos moles ou argilosos saturados, sendo o pilar para análises avançadas de estabilidade em obras de grande porte, como barragens, contenções robustas e fundações especiais. Além disso, a qualidade dos parâmetros de rigidez e resistência obtidos atende perfeitamente às exigências das modelagens numéricas computacionais, garantindo que o dimensionamento da infraestrutura seja o mais seguro e otimizado possível.

 

Imagem: Equipamento de Ensaio Triaxial - Suporte


Comparativo técnico resumido

Critério

Plano de ruptura

Controle de drenagem

Medição de poropressão

Complexidade

Custo

Representatividade

Cisalhamento Direto

Pré-definido

Limitado

Não

Baixa

Menor

Moderada

Triaxial

Natural

Completo

Sim (CU)

Alta

Maior

Elevada

 

Qual é mais confiável?

Do ponto de vista técnico, o ensaio triaxial é mais representativo, pois reproduz melhor o estado de tensões tridimensional do solo. No entanto, isso não significa que o cisalhamento direto seja inadequado. Ele é perfeitamente aplicável quando:

• O solo é granular

• A análise é simplificada

• O projeto não exige modelagem avançada

• A escolha correta depende do nível de responsabilidade da obra.

 

Imagem: Corpo de prova após execução de ensaio Triaxial. Detalhe para QR Code e app dedicado para rastreio de amostras de solo.  


Aplicações práticas em infraestrutura

 • Rodovias e ferrovias

No contexto de projetos de infraestrutura linear, como rodovias e ferrovias, a escolha do ensaio laboratorial depende diretamente da fase do projeto e do tipo de material analisado. O ensaio de cisalhamento direto apresenta-se como uma solução prática e eficiente para atender aos estudos preliminares, especialmente quando se trata de avaliar a resistência de camadas granulares e materiais de pavimentação. Por outro lado, o ensaio triaxial torna-se indispensável diante de cenários geotécnicos mais desafiadores, sendo a ferramenta indicada para a investigação detalhada de solos moles sob os aterros e para subsidiar análises de estabilidade complexas, que exigem um controle rigoroso do estado de tensões e das condições de drenagem ao longo de todo o traçado da obra.

 Fundações

No que tange ao dimensionamento de fundações, a precisão dos parâmetros geotécnicos é determinante para a segurança estrutural da edificação. Nesse cenário, o ensaio triaxial desponta como a alternativa técnica preferencial, sendo muitas vezes indispensável quando o projeto envolve fundações profundas ou exige análises rigorosas de estabilidade e recalque a longo prazo. Essa superioridade justifica-se pela capacidade ímpar do equipamento em simular com fidelidade o estado real de tensões tridimensionais no subsolo e controlar as condições de drenagem, fornecendo os parâmetros de resistência efetiva que são cruciais para garantir a capacidade de carga do maciço ao longo de toda a vida útil do empreendimento, mitigando riscos de rupturas ou assentamentos excessivos.

 Contenções e taludes

Quando se trata do projeto de contenções e da avaliação da estabilidade de taludes, a margem para incertezas é mínima devido aos severos riscos associados a possíveis rupturas. Nesses cenários geotécnicos, o ensaio triaxial consolida-se como a escolha técnica indispensável por oferecer um nível de segurança significativamente maior na condução de análises críticas.  Ao simular com alta precisão o estado de tensões em campo e permitir a avaliação detalhada das condições de drenagem e poropressão, o ensaio fornece os parâmetros exatos de resistência ao cisalhamento necessários para o dimensionamento seguro de muros de arrimo e a estabilização de encostas, mitigando de forma assertiva o risco de deslizamentos e colapsos estruturais.

 

Imagem: Células com corpo de prava para execução de Ensaio Triaxial - Suporte


A abordagem da Suporte

Na Suporte, entendemos que a investigação geotécnica de excelência não admite soluções genéricas ou pré-fabricadas. Por isso, a escolha entre a recomendação de um ensaio triaxial ou de um ensaio de cisalhamento direto nunca é tratada de forma padronizada em nossos projetos. Em vez de aplicar metodologias engessadas, nossa equipe de engenharia adota uma postura consultiva, realizando uma triagem rigorosa das necessidades reais de cada empreendimento antes de encaminhar as amostras para a bancada.

Essa definição estratégica tem como ponto de partida uma análise minuciosa das características físicas do terreno e das demandas estruturais. Avaliamos detalhadamente o tipo de solo predominante no maciço e cruzamos essa informação com o nível de carregamento que será imposto pela nova estrutura. Simultaneamente, ponderamos a complexidade da obra, compreendendo se a dinâmica do projeto exige o refinamento analítico e o controle de drenagem de um ensaio triaxial ou se a objetividade de um cisalhamento direto é perfeitamente capaz de suprir as demandas da engenharia.


Imagem: Equipe Suporte de analises e tratamento de dados de ensaios.


Além das variáveis físicas e estruturais, nossa metodologia incorpora uma avaliação profunda do risco geotécnico envolvido em cada cenário. Empreendimentos com alta suscetibilidade à instabilidade ou com consequências severas em caso de falha demandam um mapeamento de parâmetros inquestionável. Aliado a essa gestão de riscos, mantemos um alinhamento estrito com todas as exigências normativas vigentes, garantindo que o plano de ensaios não apenas alimente os modelos de cálculo com precisão, mas também respalde legal e tecnicamente o dimensionamento da obra.

O resultado dessa abordagem sistêmica é a entrega de uma análise técnica verdadeiramente personalizada, que respeita a singularidade de cada cliente. Ao desenhar o programa de ensaios com essa visão crítica, a Suporte consegue entregar o equilíbrio perfeito para o projeto: garante a máxima segurança estrutural — mitigando incertezas que poderiam levar a rupturas — e, ao mesmo tempo, promove uma expressiva eficiência econômica, evitando que o cliente invista em ensaios superdimensionados ou desnecessários para a realidade da sua obra.



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